Uma coisa que percebo com frequência, tanto no consultório quanto fora dele, é que existe uma confusão bem comum em torno das palavras que usamos para falar de cuidado emocional.
Terapia, psicoterapia, psicanálise — muita gente usa como se fossem sinônimos perfeitos, e não são exatamente. Terapia é um termo amplo, que pode incluir várias formas de cuidado. Psicoterapia é o tratamento psicológico propriamente dito, com método e embasamento teórico. E psicanálise é uma abordagem específica dentro desse universo — não a totalidade dele. Vale saber, inclusive, que “terapeuta” e “psicanalista” não são termos exclusivos de quem tem formação em psicologia; isso surpreende bastante gente.
Dentro da psicoterapia, existem diferentes abordagens — TCC, ACT, DBT, psicanálise, entre outras. E aqui vai um ponto que acho importante deixar claro: essas abordagens não são caminhos concorrentes onde um está certo e o outro errado. São caminhos diferentes que a psicologia desenvolveu para chegar a um objetivo parecido, que é a melhora real da pessoa que está em sofrimento. A diferença está no mapa que cada uma usa, não necessariamente no destino.
Existe uma abordagem que hoje tem o maior volume de evidência científica acumulada para tratar quadros como ansiedade e depressão, a ponto de ser frequentemente recomendada até por médicos psiquiatras na hora de indicar um psicólogo: a Terapia Cognitivo Comportamental. Ela é considerada, por boa parte da comunidade científica, uma espécie de padrão-ouro para esses quadros — não porque seja a única que funciona, mas porque é a que tem o corpo de pesquisa mais robusto sustentando sua eficácia.
E aqui entra uma coisa que talvez pouca gente fora da profissão saiba: durante muito tempo, e ainda hoje em boa parte das faculdades de psicologia, o estudante é orientado a escolher uma abordagem para seguir e basear toda a sua prática nela — como se fosse uma espécie de time que se torce para o resto da carreira. Só que essa lógica está cada vez mais datada diante do que as pesquisas mais recentes vêm apontando. A tendência que ganha força é outra: não se trata de ter uma abordagem preferida, mas de tomar decisões clínicas a partir de um tripé, que é o que chamamos de Prática Baseada em Evidências.
Esse tripé une três elementos ao mesmo tempo: a melhor evidência científica disponível para aquele tipo de sofrimento; a expertise do profissional, que precisa realmente saber aplicar bem as técnicas que escolhe usar, não só conhecê-las de nome; e as individualidades e preferências de quem está sendo atendido. É importante dizer que PBE não é uma abordagem nova concorrendo com as outras. É um jeito de tomar decisão clínica, que pode inclusive combinar ferramentas de TCC, ACT e DBT dentro do mesmo processo terapêutico, dependendo do que a pessoa precisa em cada momento.
Na prática, isso também significa acompanhar de perto se o tratamento está funcionando. Parte do trabalho é medir o progresso ao longo do caminho e ajustar os próximos passos quando o resultado esperado não está aparecendo — ter a flexibilidade de mudar de ferramenta, de ritmo ou de foco, ao invés de insistir cegamente numa única linha só porque foi a escolhida lá no início.
E tem um ponto prático que costumo comentar bastante com quem está começando um processo terapêutico agora: dá pra perceber, já nas primeiras três sessões, se houve um match de verdade com o profissional. Não é sobre já sair curada da terceira sessão — os avanços reais acontecem com o tempo de tratamento, isso não tem atalho. Mas é possível, e importante, sentir se você está confortável, se sente segurança na relação, e se enxerga ali uma esperança realista de melhora. Se isso não aparecer nas primeiras sessões, está tudo bem procurar outro profissional. Terapia funciona melhor quando existe esse encaixe.
Espero que este texto tenha te ajudado a desembaraçar um pouco esses termos. Se fizer sentido pra você neste momento iniciar um processo psicoterapêutico, me chama no @andriellecorreia.psi ou agende uma consulta através do WhatsApp clicando aqui.
Segunda à sexta-feira das 8h às 22h
Sábado das 9h às 12h
As sessões são realizadas mediante agendamento prévio.
